domingo, 6 de julho de 2014
sábado, 5 de julho de 2014
quinta-feira, 19 de junho de 2014
domingo, 13 de abril de 2014
“Que é que haveria depois do universo? Nada. Mas haveria qualquer coisa em
volta do universo para mostrar onde ele parava antes de começar o lugar do
nada? Não poderia ser uma parede; mas bem que poderia ser uma linha fininha,
bem fininha lá em volta de tudo. Era uma coisa muito grande para poder pensar
em todas aquelas coisas e em todos aqueles lugares. Só Deus poderia fazer isso.
Tentou imaginar que enorme pensamento poderia ser esse, mas só conseguiu pensar
em Deus. Deus era o nome de Deus, assim como o nome dele era Stephen. Dieu era
o nome francês para Deus e quando alguém rezava e dizia Dieu, então Deus
imediatamente ficava sabendo que era uma pessoa francesa que estava rezando.
Mas, embora houvesse nomes diferentes para Deus em todas as diferentes línguas
do mundo, e Deus compreendesse o que era que todas as pessoas rezavam que
rezavam, diziam em suas línguas diferentes, ainda assim Deus permanecia sempre
o mesmo deus e o nome verdadeiro de Deus era Deus.
Cansou-se muito de pensar desta maneira. Acabou sentindo a cabeça ficar
muito grande.”
James
Joyce
“O Retrato do Artista quando Jovem”
sexta-feira, 4 de abril de 2014
ÚNI DÚNI,TÊNI
Úni
Dúni Tênisalamêni.
Balança, meu bem, balança
entre um e outro trapézio.
No verde tom da esperança,
a cor de prata do césio.
Circula o riso no e
como sangue nas artérias.
Os saltos mais perigosos
são fiorituras aéreas.
No limite da coragem,
no vão entre céu e terra,
um anjo luminescente
zomba da morte e da guerra.
É anjo? ou mulher? ou homem?
Sobre a pergunta sem nexo,
o novo arco-íris desdobra
todos os raios do sexo.
(Carlos Drummond de Andrade)
Fiorituras= ornamentos, floreios.
domingo, 16 de fevereiro de 2014
DEU PANGO-SURUPANGO
DEU PANGO-SURUPANGO
Uma velha tinha nove filhas,
Todas a fazer biscoito;
Deu pango-surupango numa delas
E das nove ficaram, oito.
Essas oito – meu bem! – que ficaram
Foram comprar confete;
Deu pango-surupango numa delas
E das oito ficaram sete.
Essas sete - meu bem! – que ficaram
Foram jogar xadrez;
Deu pango-surupango numa delas
E das sete ficaram seis.
Essas seis – meu bem! – que ficaram
Foram comprar um brinco;
Deu pango-surupango numa delas
E das seis ficaram cinco.
Essas cinco – meu bem! – que ficaram
Foram um dia ao teatro;
Deu pango- surupango numa delas
E das cinco ficaram quatro.
Essas quatro - meu
bem! – que ficaram
Foram aprender francês;
Deu pango-surupango numa delas
E das quatro ficaram três.
Essas três – meu bem – que ficaram
Foram passear nas ruas;
Deu pango-surupango numa delas
E das três ficaram duas.
Essas duas - meu bem –
que ficaram
Foram brincar na espuma;
Deu pango-surupango numa delas
E das duas ficou só uma.
Essa uma – meu bem! – que ficou
Foi para a correção
Deu pango-surupango na coitada
E acabou-se a geração!
Antonio de Pádua
Morse –“ Quem contou foi o Mindinho”
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